Guilhofrei contesta composição das séries da Honra

A ACR  Guilhofrei veio a público contestar a forma como foram constituídas as duas séries (A e B)  do campeonato da Divisão de Honra da AF Braga para a época 2026/2027. Num comunicado, o clube manifesta “profunda indignação e discordância” relativamente ao processo e exige “justiça, transparência e igualdade de tratamento”.

A direção do emblema vieirense sublinha que não está apenas em causa a série onde foi colocada a equipa, mas, sobretudo, “o cumprimento de critérios claros, transparentes e iguais para todos os clubes”.

Segundo o Guilhofrei, o regulamento da AF Braga estabelece como princípio uma distribuição geográfica equilibrada, procurando evitar deslocações excessivas. Nesse sentido, a direção questiona se os critérios regulamentares foram aplicados de forma uniforme a todos os clubes.

O clube apresenta, inclusive, uma alternativa à composição definida, defendendo que algumas equipas do concelho de Famalicão poderiam ter sido agrupadas com as de Barcelos, permitindo, no seu entendimento, que Vieira SC, GD Porto d’Ave e Emilianos FC integrassem a Série B.

“Diferença muito significativa”

A direção do Guilhofrei sustenta ainda a sua posição com os quilómetros previstos para as deslocações. De acordo com os números apresentados no comunicado, o Emilianos FC, caso integrasse a Série B na solução defendida pelo clube, teria cerca de 318,70 quilómetros de deslocações nas 15 jornadas.

Já o Guilhofrei terá de percorrer, segundo o clube, aproximadamente 510,50 quilómetros nas mesmas 15 jornadas.

“Estamos, portanto, perante uma diferença muito significativa”, considera a direção, que aguarda agora “uma explicação por parte dos responsáveis da A.F. de Braga” sobre os critérios que determinaram a constituição das séries.

Clube estima perda de três mil euros

A contestação estende-se também ao impacto financeiro da decisão. O Guilhofrei estima uma perda de aproximadamente 3.000 euros em receitas de bilheteira, justificada pela redução do número de jogos com equipas de maior proximidade geográfica e, consequentemente, pela possível menor afluência de público.

No comunicado, o clube recorda ainda que lhe teria sido transmitida anteriormente a garantia de que o regulamento seria aplicado “de forma tranquila, coerente e imparcial”.

A direção questiona, por isso, se terão existido “pressões externas” a condicionar a composição final das séries. A este propósito, cita uma declaração do presidente da AF Braga durante o sorteio, na qual o dirigente afirmou: “Recebi da parte de 2 ou 3 clubes, com a cordial cortesia não vou revelar, pedidos para irem na série A ou na série B, mas posso-lhe garantir que nenhuma destas chaves de distribuição foi feita à medida ou a pedido de ninguém.”

É perante esta declaração que o Guilhofrei considera que a AF Braga deve prestar aos clubes “uma explicação clara e transparente sobre todo o processo”.

“Não queremos separar. Queremos unir”

Apesar da contestação, a direção garante que o clube vai cumprir as suas responsabilidades e participar na Divisão de Honra.

“É pelo respeito pelo nosso grupo de trabalho, pela história e pelo passado grandioso da A.C.R. de Guilhofrei e pelo povo da honrada Freguesia de Guilhofrei que estaremos presentes e competiremos na Divisão de Honra da A.F. de Braga”, pode ler-se no comunicado.

No final, o clube deixa ainda uma mensagem de união, salientando que o Guilhofrei nasceu “para unir, para aproximar pessoas e para representar a sua terra”.

“Não queremos separar. Queremos unir. Falhar por uma decisão tomada de forma errada pode ser humano. Mas falhar por pressão seria muito mais grave”, conclui a direção.