O desempenho da seleção portuguesa no Mundial tem ficado aquém das expectativas e da qualidade do próprio plantel.
A seleção não transmite a imagem de um grupo coeso, com um fio condutor bem definido e, dentro de campo, revela falta de união.
São evidentes as dificuldades na criação de dinâmicas ofensivas, na ocupação dos espaços e nas transições defensivas.
Se, do ponto de vista defensivo, a equipa tem demonstrado uma consistência razoável, no plano ofensivo apresenta-se confusa, previsível e desgastada. Há outro aspeto que merece reflexão: a gestão de Cristiano Ronaldo por parte do selecionador.
Ninguém questiona o valor de Ronaldo, nem tudo aquilo que já fez pelo país e pela seleção. É uma referência do futebol português e uma marca nacional. No entanto, isso não significa que consiga manter a mesma forma física e o mesmo nível de rendimento a que nos habituou ao longo da carreira.
A seleção precisa de encontrar a melhor forma de potenciar o contributo de Ronaldo, permitindo-lhe continuar a ser útil à equipa. Da mesma forma, o próprio jogador deve reconhecer aquilo que ainda pode oferecer ao coletivo.
Por outro lado, a seleção tem de começar a preparar o futuro pós-Ronaldo. Nesse aspeto, considero que Roberto Martínez não tem feito uma boa gestão.
Insistir em manter Ronaldo em campo durante os 90 minutos, sabendo que já não consegue manter a mesma intensidade ao longo de todo o jogo e que o seu rendimento tem vindo a diminuir, é recusar aceitar a realidade e revelar excessiva teimosia nas suas convicções.
Ter convicções não é o mesmo que ser teimoso. É preciso capacidade e coragem para ler o jogo, interpretar os sinais e tomar decisões difíceis.
A gestão de egos e de conflitos nunca é simples, mas é precisamente para isso que um treinador é contratado: para decidir, mesmo quando essas decisões são impopulares.
A seleção tem qualidade para chegar longe, mas, para isso, precisa de uma nova dinâmica, de ideias claras e de um verdadeiro fio condutor. Algo que, até ao momento, não se tem visto com o atual selecionador.
Perante a possibilidade de uma eventual saída de Roberto Martínez, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol deve começar a olhar para o futuro da seleção, escolhendo um treinador com uma ideia de jogo bem definida e um projeto sólido, capaz de devolver identidade, frescura e ambição à equipa das quinas.






