Rali de Portugal, a emoção do costume

A prova portuguesa, organizada pelo ACP é, de há muito, um ex-libris do calendário mundial. Um verdadeiro desafio em troços de terra, muito competitivos e técnicos, mas que não constituem uma agressão permanente às mecânicas dos carros, permitindo aos pilotos exibirem a sua técnica. Por essa razão, o Vodafone Rally de Portugal é elevado por nomes consagrados dos ralis mundiais. Que o digam Sébastien Ogier ou Dani Sordo, entre outros, que sem contarem com um calendário completo, fazem questão em participar na prova portuguesa, a sexta do calendário de 2026.

Depois de importantes desafios em asfalto, que até contribuíram com algumas surpresas, a Toyota continua a afirmar-se dominante com cinco vitórias em cinco provas disputadas, acrescentando também a totalidade de três pódios. Este domínio foi apenas interrompido com o 2º lugar dos Hyundai de Adrien Fourmaux no Safari do Quénia e a 3ª posição do regressado Hayden Paddon na Croácia. Cinco vitórias Toyota, duas para o japonês Takamoto Katsuta (Quénia e Croácia) e com o promissor Oliver Solberg a triunfar em Monte Carlo, Elfyn Evans na Suécia e o campeão Sébastien Ogier nas Canárias.

Agora, nas especiais portuguesas vão ser servidas as emoções entre diferentes gerações de pilotos, num verdadeiro teste às mecânicas da Toyota e da Hyundai, sem esquecer, obviamente, a menos competitiva M-Sport Ford, que espreita resultados mais positivos.

Até à prova portuguesa, o panorama do mundial de ralis é extremamente interessante. Elfyn Evans passou a liderar o campeonato de pilotos, mas apenas com dois pontos de vantagem para o seu colega de equipa Takamoto Katsuta. Depois, mais dois Toyota, o de Sami Pajari com 72 pontos, que tem muito perto Oliver Solberg com 68, seguidos pelo primeiro Hyundai, o de Adrien Fourmaux com 59 pontos, apenas mais um que o Toyota do campeão Sébastien Ogier. Entre os construtores, a diferença é enorme, com a Toyota a somar 265 pontos contra os 167 da Hyundai.

A edição deste ano conta com 23 classificativas, num total de 344,91 quilómetros ao cronometro, inseridos num percurso global de 1874,58 quilómetros. Entre os troços, destaca-se a especial mais curta, a super especial da Figueira da Foz, com apenas 1,93 quilómetros, enquanto Amarante surge como o maior desafio, com 26,24 quilómetros*.

A diversidade também marca presença na lista de inscritos: são 22 nacionalidades, com destaque para os franceses (18%, 24 participantes) e espanhóis (10%, 14 participantes). Portugal está fortemente representado, com 28 pilotos e navegadores, correspondendo a 21% do total.

No plano técnico, o Rally reúne 6 construtores diferentes, enquanto ao longo da história já 8 marcas venceram em Portugal, entre elas Toyota, Hyundai, Ford e Peugeot.

Em termos organizativos a dimensão é também impressionante: cerca de 3000 elementos da GNR, 450 marshals, mais de 800 voluntários, além de equipas dedicadas à logística, preparação das classificativas e segurança.

Números que confirmam o Vodafone Rally de Portugal como muito mais do que uma prova – um verdadeiro espetáculo de dimensão mundial, muito querido dos aficionados portugueses.

Carlos Costa

CO 150