O combate à violência é algo que diz respeito a todos nós. Não é exclusivo.
Ao longo dos últimos tempos e, apesar de todos os esforços e campanhas de sensibilização, tem havido um agravamento de situações de violência.
Verifica-se várias vezes conflitos entre adeptos e pais a quererem bater nos treinadores, dirigentes e nos árbitros. Não nos podemos esquecer que todos somos intervenientes e devemos ter um papel ativo e positivo no mundo do desporto.
Há uns anos retirou-se a obrigatoriedade de policiamento nos escalões de formação. Não compreendo a razão para se ter tomado essa medida.
Nos últimos tempos foram sendo tomadas medidas e os clubes passaram a ter um gestor de segurança. Mas aqui há pontos a refletir.
Os clubes têm capacidade financeira para suportar a segurança devida?
Há estruturas suficientes e consistentes para a execução do plano de segurança? A nível de formação, a mesma existe e quem a valida de forma eficaz, séria e com compromisso de formação contínua?
Infelizmente, o futebol é uma espécie de válvula de escape para os problemas que enfrentamos no nosso dia-a-dia. Sei que é difícil gerir e acautelar emoções, mas todos temos o dever de procurar ajudar os jovens a terem um papel positivo e um comportamento correto na sociedade. Isso consegue-se dando bons exemplos e no acompanhamento diário que fazemos.
Não nos podemos esquecer que os treinadores, atletas, dirigentes e árbitros estão sujeitos a uma enorme pressão, o que também leva a um enorme desgaste físico e psicológico tornando, assim, a gestão de emoções mais difíceis.
Enquanto adeptos devemos pensar que os principais intervenientes são os primeiros a não quererem errar mas, mais do que isso, são os primeiros a sentirem-se frustrados quando as coisas não correm bem.
A principal função do adepto é apoiar a equipa e, nos escalões de formação, ajudar no desenvolvimento dos jovens e da sociedade. Não o contrário.
A exigência faz parte do nosso dia-a-dia. No futebol não é exceção. Contudo, não nos podemos esquecer que os intervenientes são seres humanos e, por isso, devem merecer da parte de todos respeito e compreensão.
O desprezo não deve fazer parte no quotidiano do desporto e, tão pouco, da sociedade que se quer respeitadora, acolhedora e inclusiva.
Tem-se verificado alguns atos de racismo que vão contra tudo o que defendemos enquanto sociedade e afrontam os mais básicos princípios dos direitos humanos.
Os clubes e os atletas fazem bem em denunciar todo e qualquer comportamento inadequado nos recintos. Sejam eles de violência física, verbal ou racismo.
Todo e qualquer tipo de violência, seja ela física ou verbal, tem de ser denunciada e, ao mesmo tempo, ser alvo de respostas prontas e firmes por parte de quem tutela e, acima de tudo, da sociedade.
Há uma velha máxima que sempre me ensinaram. Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti. Esta é uma máxima que devemos ter presente.
Por outro lado, quem dirige e tutela os variados organismos ligados ao desporto deve passar uma imagem de transparência e seriedade. Como diz o povo: à mulher de César não basta ser honesta. É preciso parecer.
Que todos nós ajudemos a melhorar o ambiente em torno do desporto. Ficamos todos a beneficiar com isso. Principalmente a sociedade.







