O ambiente que se vive atualmente no futebol em nada favorece o espetáculo e a atração de espectadores.
Numa altura em que se fala de centralização e da exportação do produto, é importante repensar algumas questões básicas como as estruturas, formação de agentes desportivos, treinadores, arbitragem e regulamentos.
Olhando para os regulamentos, os mesmos não são totalmente claros e, em algumas situações, há um fechar de olhos para os mesmos.
Há outros quatro pontos que considero importantes serem debatidos pelas diversas entidades que tutelam e gerem o futebol nacional e regional: a formação, a calendarização, inscrições e a arbitragem.
Na formação é cada vez mais imperioso apostar na formação dos diversos dirigentes desportivos, criar mecanismos para uma maior cooperação entre as escolas e os clubes e, não menos importante, repensar e reforçar o financiamento às várias coletividades de forma a proporcionar uma maior capacidade a nível de estruturas físicas e humanas.
Olhando para a calendarização e as inscrições, torna-se imperioso uma maior transparência na calendarização e na inscrição de equipas. Uma das dificuldades que diversos clubes têm sentido prende-se com o facto de haver clubes que têm duas equipas do mesmo escalão a competir na mesma divisão ou em divisões acima.
É importante haver um maior controlo e encontrar um mecanismo que não permita que jogadores da equipa A possam jogar na equipa B.
Permitir que essas situações aconteçam faz com que haja desequilíbrios e, consequentemente, uma camuflagem da competição e da verdade desportiva.
Na arbitragem e na disciplina a aposta numa maior e ampla qualificação da arbitragem é essencial para uma melhor credibilidade e transparência de um setor predominante para a prática desportiva. A nível disciplinar também tem havido aspetos que deixam muito a desejar e que devem ser alvo de uma profunda reflexão e revisão para uma maior transparência.
Não é aceitável que um jogador que seja castigado com um jogo possa competir pelo escalão acima no fim de semana em que o mesmo estaria a cumprir esse castigo. Vejamos um exemplo prático: um atleta de iniciados que tenha levado um jogo de castigo pode competir no fim de semana de castigo pelo escalão de juvenis ou, caso haja duas equipas do mesmo escalão, pode competir pela equipa da divisão que não a mesma.
Ou seja, se for da equipa da 2ª divisão pode jogar pela equipa que está na 1ª divisão. Aqui não bate certo com o regulamento da FPF. Um jogador que seja castigado com um jogo de não pode jogar no jogo seguinte. Independentemente do escalão e da divisão. Essa é uma situação fácil de controlar e de fácil aplicação. Tem de haver um esforço e, acima de tudo, bom senso da parte de todos os intervenientes da prática desportiva.
Os pontos que elenquei acima são fundamentais para que o futebol se torne numa atividade mais atrativa, respeitadora e transparente. Todos ficamos a ganhar.
Na formação de dirigentes, treinadores, árbitros e de outros agentes é necessário rever e apostar numa formação mais rigorosa e consistente.
A comunicação é outro aspeto que deve ser melhorado e ser visto como uma ferramenta de utilização e propagação de uma maior transparência.
Por último, a segurança em recintos desportivos e revista de adeptos exige uma reflexão profunda, séria e cooperativa de forma a mitigar a violência que se tem vindo a verificar e a agravar-se cada vez mais.





