Vencer deve ser prioridade no futebol de formação?

Quando andas por cá uns anitos, de campo em campo, de projeto em projeto, envolvido por uma cultura em particular, não consegues ficar imune e, em muitos momentos, não há medicamento que te salve e quando dás por ela apanhas umas “constipações”. Uma coisa vou aprendendo, se não consegues mudar o mundo por um determinado caminho, escolhe outro, mas nunca desistas!

Vencer deve ser prioridade no futebol de formação?

Quando andas por cá uns anitos, de campo em campo, de projeto em projeto, envolvido por uma cultura em particular, não consegues ficar imune e, em muitos momentos, não há medicamento que te salve e quando dás por ela apanhas umas “constipações”. Uma coisa vou aprendendo, se não consegues mudar o mundo por um determinado caminho, escolhe outro, mas nunca desistas!

E por aqui, quero chegar acolá e pensar alto. Muitos atletas são instruídos e pressionados a ganhar, custe o que custar. Organização? Não interessa. Prazer? Não interessa. Aprendizagem? Não interessa. Na cabeça deles (a começar pelos adultos) só interessa ganhar.

Apercebo-me que neste meio, cada vez mais existe uma confusão entre o termo “querer ganhar a todo o custo” e o trabalhar para saber como ganhar, isto começa a ser um vírus onde sem vacina à vista para combater.

Desde quando é que ensinar os atletas a ser competitivos é só querer ganhar? Desde quando é que ensinar os miúdos a dar o máximo em tudo o que estão inseridos é só pensar em ganhar? Desde quando é que ensinar os miúdos a empenharem-se e serem organizados e competentes é só pensar em ganhar?

O ganhar constrói-se e conquista-se diariamente em cada treino, cada torneio, cada etapa da vida, e se há coisa que não aprecio nem estimo é ver determinados “adultos” obrigarem miúdos (idades entre 5-10 anos) a ganhar.

As pessoas geralmente esquecem-se de alguns pormenores importantes. A educação vem de casa. Muitas vezes, mas mesmo muitas vezes, os atletas chegam aos treinos sem educação nenhuma. Sabem porquê? Espelha o que visualizam e vivem em casa.

Sim isso mesmo. Depois os treinadores e professores são muitas vezes obrigados a dar educação e assumirem papéis que não são deles, nem de perto nem de longe.

Com isto a capacidade de ganhar de ser competente, organizado e coerente a jogar futebol, mesmo na formação ou por diversão, depende, e muito, do estímulo dado ao atleta/criança.

Certos e determinados “adultos” acabam por ter atitudes excessivas. Ok, sim, é totalmente verdade, mas nunca em momento algum deve-se colocar em causa o trabalho dos treinadores de formação, nem muito menos interferir, nem a forma como os atletas, mesmo em pequenos, querem ganhar e darem o máximo deles, porque, queiram ou não, a aprendizagem é um processo contínuo pela vida toda que só transmite conhecimento e experiência se os atletas passarem por tal.

O querer ganhar nestas idades é mau? Óbvio que não! Por mais que as pessoas falem e gritem, está sempre presente em qualquer atleta, em qualquer treinador, dirigente.
É sinal que mesmo em formação, recreação ou até mesmo em passatempo, esforçam-se ao máximo para atingirem os seus objetivos e isso só os vai enriquecer e torná-los em pessoas melhores e mais disciplinadas com elas mesmas durante a vida toda.

Há muitas prioridades a salvaguardar no futebol de formação antes de pensarmos em ganhar, há muita coisa que deve mudar. Persiste ainda uma face oculta que está latente, mas são poucos os que tem a coragem de tocar na ferida e lançar álcool sobre a mesma!