Samuel Vidinha foi o grande vencedor da prova Bracarvs Backyard Ultra, que começou no sábado de manhã e terminou já perto das cinco da madrugada desta segunda-feira, na Vila de Prado.
O atleta conseguiu realizar 44 voltas ao percurso, no tempo total de 43 horas, 56 minutos e 41 segundos. Samuel Vidinha bateu o seu recorde pessoal de 38 voltas e estabeleceu um novo recorde nacional, que estava em 43.
“Foi uma prova longa, faz dois dias que não durmo. Estou muito cansado, mas treinei bastante para poder estar cá e poder fazer muitas voltas. Tinha feito 38 voltas há três ou quatro semanas e agora correu melhor”, disse o atleta, pouco depois do fim da competição.
Samuel Vidinha salientou a “enorme felicidade” por ter estabelecido um novo recorde e deixou elogios ao percurso, embora tenha salientado que o facto de o pavimento ser em alcatrão “faz mossa nas articulações”.
“Tem uma paisagem muito bonita e o facto de ter estado bom tempo fez com que tenha estado cá muita gente, o que é sempre agradável e ajuda a cumprir as voltas”, afirmou.
No segundo lugar ficou Stanislav Nikitin, com 43 voltas, enquanto António Pinto, que cumpriu 40 voltas, terminou na terceira posição.
A mulher com melhor desempenho foi Sílvia Dias, que realizou 30 voltas, tendo também conseguido bater o recorde pessoal, estabelecido em 29 voltas. “O calor estava a apertar imenso e eu já estava com algumas dores, por isso decidi parar assim que cumpri a 30ª volta”, explicou a atleta.
Do lado da organização, Tiago Costa fez um balanço positivo da forma como decorreu a prova. “Inicialmente estava um bocado receoso por causa das mudanças de percurso, em relação às últimas edições, porque pela primeira vez foi feito um trajeto de ida e volta. Foi algo novo para todos os atletas, mas o feedback que recebi foi positivo e penso que, a nível geral, correu muito bem”, afirmou.
Tiago Costa considerou que o resultado da prova, com a obtenção de novos recordes, ajuda a traduzir o sucesso desta edição. “O facto de haver gente a passar na ecovia, que está numa paisagem fantástica, ajuda os atletas a estarem mais despertos e a conseguirem concentrar-se melhor na prova”, salientou o organizador, que explicou a forma como a prova decorre e as preparações necessárias por parte dos atletas.
“Este tipo de prova não é como uma maratona, em que temos de fazer um treino muito específico, ou uma corrida de velocidade. É uma prova que qualquer pessoa que está a iniciar a corrida pode fazer porque a distância da volta são 6,7 km, que tem que ser feita numa hora, portanto, a um ritmo muito confortável”, apontou.
Segundo Tiago Costa, “não é preciso ser um atleta de elite para fazer uma volta”, mas é fundamental que os atletas consigam dosear o esforço e tenham uma boa alimentação para se manterem em prova. “Precisamos de ter alguma capacidade depois de endurance para continuarmos a fazer volta após volta. E aí, sim, se querem participar têm que treinar este estilo de corrida que é estar muito tempo a correr”, sublinhou.







