Isidro Fernandes contesta possível fim do Vilaverdense FC e pede Assembleia Geral

O ex-presidente do Vilaverdense FC, Isidro Fernandes, veio a público contestar o eventual encerramento do clube, defendendo que existem “caminhos legais” para garantir a sua continuidade e salvaguardar as equipas de formação.

Num comunicado enviado à nossa redação, Isidro Fernandes manifesta “profunda dor e indignação” perante a atual situação do Vilaverdense FC, numa altura em que a SAD foi declarada insolvente e as equipas de formação estão impedidas de competir.

“A memória e a história do clube não se apagam”, começa por afirmar o antigo dirigente, que recorda a primeira Assembleia Geral realizada para a constituição da SAD. Segundo Isidro Fernandes, nessa altura, enquanto presidente do clube, juntamente com o presidente da Mesa da Assembleia Geral e mais dois sócios, tentou garantir mecanismos que protegessem o futuro do Vilaverdense FC.

“Lutámos sozinhos e em vão, porque na altura prevaleceram os interesses pessoais de quem se sobrepôs ao superior interesse do clube”, acusa, considerando que a situação atual acabou por confirmar as preocupações manifestadas naquela altura.

Críticas à atual direção

Isidro Fernandes critica ainda a decisão de realizar uma conferência de imprensa para abordar o futuro do clube sem que tenha sido previamente convocada uma Assembleia Geral para informar e ouvir os associados.

“Considero absolutamente inadmissível, inaceitável e intolerável que se marque uma conferência de imprensa — aparentemente para comunicar o fim do clube — sem que seja previamente convocada uma Assembleia Geral para informar e ouvir soberanamente os sócios”, afirma.

O antigo presidente questiona também se a atual direção “fez realmente tudo o que estava ao seu alcance para não fechar as portas a um clube com 83 anos de história”.

Nesse sentido, aponta os casos do Belenenses, Desportivo das Aves e Cova da Piedade como exemplos de processos em que, segundo sustenta, foi possível separar os clubes, enquanto associações, dos problemas financeiros das respetivas SAD.

Providência cautelar no TAD

No comunicado, Isidro Fernandes defende que o Vilaverdense FC deveria ter avançado de imediato com uma providência cautelar junto do Tribunal Arbitral do Desporto (TAD), de forma a tentar assegurar a inscrição das equipas de formação enquanto o processo principal fosse apreciado.

Para o antigo dirigente, existem precedentes na jurisprudência desportiva portuguesa que podem abrir caminho à defesa da continuidade do clube e da sua formação.

“O Vilaverdense FC não tem de acabar! Há jurisprudência a nosso favor, há caminhos legais abertos, há trabalho por fazer e há uma luta nobre a travar”, sustenta.

Isidro Fernandes termina com um apelo à atual direção e aos Vilaverdenses para que não desistam do clube.

“Não baixemos os braços nem entreguemos a alma da nossa terra sem dar a batalha que os nossos jovens e a nossa história exigem”, conclui.

 

Comunicado na integra

“O Vilaverdense FC não tem de acabar! Há enquadramento legal, há jurisprudência e os sócios têm de ser ouvidos.”

Assisto com profunda dor e indignação à situação a que o Vilaverdense FC foi votado: uma SAD  declarada insolvente e, de forma injustificável, as nossas equipas de formação impedidas de

competir.

A memória e a história do clube não se apagam. Aquando da primeira Assembleia Geral para a constituição da SAD, eu — enquanto ex-Presidente do Clube —, o Presidente da Mesa da

Assembleia Geral e mais dois sócios travámos uma luta feroz para que fossem blindadas as garantias e salvaguardado o futuro do Vilaverdense FC. Lutámos sozinhos e em vão, porque na

altura prevaleceram os interesses pessoais de quem se sobrepôs ao superior interesse do clube. O resultado está hoje à vista de todos e o tempo deu-nos razão da pior maneira.

Mas se o passado dói, o presente revolta. Chegados a este ponto, considero absolutamente  inadmissível, inaceitável e intolerável que se marque uma conferência de imprensa — aparentemente para comunicar o fim do clube — sem que seja previamente convocada uma Assembleia Geral para informar e ouvir soberanamente os sócios. O Vilaverdense FC pertence aos  seus associados e à sua terra, não a decisões unilaterais tomadas à porta fechada.

Pergunto publicamente: a atual direção fez realmente tudo o que estava ao seu alcance para não fechar as portas a um clube com 83 anos de história?

A resposta é clara. Existem precedentes evidentes na jurisprudência desportiva portuguesa — casos como os do Belenenses, Desportivo das Aves ou Cova da Piedade —, que demonstraram ser perfeitamente possível desvincular o Clube (associação) dos problemas financeiros da SAD (empresa).

O caminho devia ter sido a entrada imediata de uma Providência Cautelar junto do Tribunal  Arbitral do Desporto (TAD). Esta medida permitiria assegurar cautelarmente a inscrição de todas

as equipas de formação enquanto o processo principal fosse julgado — sabendo-se que as decisões dos tribunais têm sido consistentemente favoráveis aos clubes na proteção do desporto jovem.

Faço um apelo veemente à atual direção e a todos os Vilaverdenses: o Vilaverdense FC não tem de acabar! Há jurisprudência a nosso favor, há caminhos legais abertos, há trabalho por fazer e há uma luta nobre a travar. Não baixemos os braços nem entreguemos a alma da nossa terra sem dar a batalha que os nossos jovens e a nossa história exigem.